Um erro bem comum entre muitos católicos e sua atitude diante da morte diz respeito ao que acontece logo depois a morte. Muitos estão convencidos de que seus entes queridos, imediatamente após passarem desta vida para a outra, já estão no céu, embora tais pessoas não tenham levado uma vida exemplar e santa. Lembre-se do que o último livro da Bíblia, o livro do Apocalipse, nos ensina: “Nada impuro pode entrar no Reino de Deus”. Jesus também afirma: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8).

Quantas vezes ouvimos em funerais, referindo-se ao falecido, estas palavras: “Bem, ele está em um lugar melhor agora!” ou “Agora ele não está mais sofrendo.” Obviamente, aqueles que proferem essas declarações em relação ao falecido não têm uma má intenção. No entanto, essas declarações podem causar grandes danos e o motivo é claro: se essa pessoa que passou para a eternidade está em um lugar melhor (é que claro se refere ao Céu) e se ela não está mais sofrendo porque desfruta da felicidade perpétua do Paraíso, então não é necessário oferecer quaisquer orações ou sacrifícios para a purificação de sua alma. Em outras palavras, por que desperdiçar orações e sacrifícios rezando por uma alma que já está no Céu?

No entanto, devemos analisar a verdade nua e crua. Somente aqueles que são absolutamente puros, sem nenhuma mancha de pecado, sem nenhum apego ao pecado e a este mundo, e que foram totalmente purificados de seus pecados passados podem ter acesso ao Reino dos Céus. A maioria de nós deve admitir, com honestidade e verdade, que provavelmente ainda não chegamos a esse estado. Em outras palavras, apenas aqueles que se aperfeiçoaram na caridade – amor sobrenatural a Deus e ao próximo – estão prontos para entrar na santidade e na essência absoluta do lar eterno do Pai, Filho, Espírito Santo, de Maria, dos anjos e santos!

Portanto, não importa quem foi ou seja a pessoa, depois de passar desta vida para a outra, é uma prática salutar e muito agradável a Deus rezar, oferecer sacrifícios, oferecer missas e dar esmolas pelos defuntos. Não devemos canonizá-los antes do tempo. Quando digo canonizar, quero dizer declarar que eles já estão no céu. Somente o Santo Padre, o Papa, tem o direito de declarar oficialmente que tal pessoa é um santo no céu, como o Papa Francisco fez recentemente, declarando três indivíduos que estão no Céu, ou seja, que são santos: São José Luís Sánchez Del Río (mexicano), Santa Isabel da Trindade (francesa) e Cura Brochero (argentino).

Portanto, se tal pessoa morreu em estado de graça, mas ainda não chegou ao Céu, então seu destino é o do PURGATÓRIO. O que é esse lugar chamado “Purgatório” e o que nós podemos fazer para ajudar essas almas a saírem de lá ou aliviar suas dores? O Catecismo da Igreja Católica define o Purgatório como tal:

“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.” (CIC 1030)

O Catecismo da Igreja Católica também cita o Papa São Gregório Magno (que é a origem e o iniciador das “Missas Gregorianas”,  significando 30 Missas consecutivas pelos defuntos) sobre o tema do Purgatório com estas palavras motivadoras: 

“Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do julgamento, um fogo purificador, conforme afirma Aquele que é a verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfêmia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir.” (CIC 1031)

Em seguida, o Catecismo da Igreja Católica apresenta uma passagem bíblica clara do Antigo Testamento, o Livro dos Macabeus (2 Mac 12, 46), que dá suporte e prova da realidade do Purgatório, bem como das práticas que devemos realizar para ajudar essas pobres almas em seu sofrimento a chegarem com segurança ao lar no céu, sua recompensa eterna. Em suma, as almas do Purgatório são salvas porque morreram no estado de graça santificante, mas são totalmente dependentes da misericórdia infinita do Deus Todo-Poderoso para a purificação final. No entanto, a misericórdia do Deus Todo-Poderoso é parcialmente mediada pelo que fazemos por elas enquanto estamos na terra. Deus quer que façamos tudo o que pudermos para ajudar essas almas a obter sua recompensa eterna. Portanto, leiamos e reflitamos seriamente em espírito de oração as palavras do Catecismo da Igreja Católica:

“Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: ‘Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas’ (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos: ‘Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício do seu pai (627) por que duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? […] Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações’.” (CIC 1032)

Normalmente, o mês de novembro é um mês em que somos chamados a lembrar as almas dos fiéis que partiram. No dia 1º de novembro a Igreja celebra “Todos os Santos”; depois, em 2 de novembro, a Igreja celebra e reza pelos falecidos, os fiéis que partiram. Nesse mesmo dia, a Igreja permite aos sacerdotes ordenados celebrar três missas para ajudar as pobres almas detidas no Purgatório a chegar ao seu destino eterno – o Céu!

Em conclusão, gostaríamos de oferecer uma breve lista de práticas que podemos voluntária e generosamente realizar, como um ato de caridade, para ajudar nossos irmãos e irmãs em Cristo que ainda estão no Purgatório a alcançar a purificação total para que possam finalmente contemplar o belo rosto de Jesus, nosso Senhor.

  1. Oração – Ofereça alguma oração a qualquer momento pelas almas do Purgatório, a oração refresca e purifica as almas sofredoras.
  2. Sacrifícios – Ofereça, desapegue ou sacrifique algo de que você gosta para ajudar as almas do Purgatório. Deus se agrada não tanto com a grandeza da ação, mas sim com o amor com que ela é realizada. 

Dê o que você tem aos pobres e ofereça pelas pobres almas do Purgatório. Isso pode libertá-las de suas obrigações (Leia o Livro de Tobias).

  1. Santa Comunhão – Ofereça sua comunhão na Santa Missa pelas pobres almas. Isso é muito agradável a Deus.
  2. Santa Missa – Melhor ainda, peça uma missa pelas almas do Purgatório. O sacerdote oferece esta Missa especificamente para esta alma e as pessoas rezam por ela.
  3. Missa Gregoriana – Melhor ainda seria oferecer uma missa gregoriana pelo falecido. Consiste em oferecer 30 missas consecutivas pelos defuntos. É chamada de “gregoriana” porque o primeiro a empreender essa prática foi o Papa São Gregório Magno.

Outra prática muito útil é orar nove dias seguidos pela alma após sua partida desta vida para a próxima.

  1. Terço da Misericórdia – Esta prática do terço da misericórdia agrada muito a Deus, na qual oferecemos o Precioso Sangue de Jesus para o bem das almas de todo o mundo – isso inclui as almas do Purgatório.
  2. Sofrimento Pessoal – Todos nós temos nossas próprias cruzes e sofrimentos. Não devemos desperdiçá-los! Por que não oferecê-los pelas almas do Purgatório, especialmente pelas almas abandonadas do Purgatório.
  3. Nossa Senhora – Rogai a Nossa Senhora, Mãe da misericórdia, pelas almas do Purgatório. Diz a tradição que nas principais festas marianas ou solenidades, muitas almas do purgatório são purificadas e alcançam a visão beatífica de Deus no céu. Por quê? Devido às orações de Nossa Senhora, Rainha da misericórdia!

Em conclusão, façamos tudo o que estiver ao nosso alcance na vida para ajudar as almas do Purgatório a obter o perdão total dos seus pecados, a purificação das suas faltas passadas, de forma a alcançar a glória do céu.

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Autor: Padre Ed Broom, OMV

O Padre Ed Broom é Oblato da Virgem Maria e autor de “Total Consecration Through the Mysteries of the Rosary” (Consagração total através dos mistérios do rosário) e “From Humdrum to Holy” (Da Monotonia ao Sagrado). Ele geralmente escreve em seu blog pessoal. 

Fonte: Catholic Exchange 

Traduzido por Ludmila Giacone – Membro da Rede de Missão YOUCAT BRASIL, servindo no Núcleo de Tradução, além de atualmente participante do Grupo de Estudo YOUFAMILY em Brasília – DF.

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