Se você é como eu, ir à Missa com seus filhos não é sempre algo fácil de se fazer. Tirar as crianças das brincadeiras matinais no domingo costuma ser uma tarefa de pelo menos 30 minutos, em que a corrida para vestir as crianças (vesti-las) se torna um ótimo substituto para qualquer exercício aeróbico planejado para o fim de semana.

Uma vez passadas as portas da igreja, o trabalho ainda não terminou. Os mais novos vão querer fazer constantes peregrinações pela igreja, ao invés de ficarem quietinhos em um banco. Haverá desavenças entre as crianças, já que elas sabem, intuitivamente, que qualquer ambiente silencioso é melhor quando quebrado por gritos agudos de ataques de raiva.

Até os pais mais devotos ocasionalmente se questionam: “O que estou fazendo? Por quê suporto esse circo toda semana?”. Em meio aos atuais escândalos da Igreja, tenho certeza de que muitos pais pensaram consigo mesmos, pelo menos uma ou duas vezes, “sentirão minha falta?”.

A resposta é sim. Em cada Santa Missa, o sacerdote reza a Oração Eucarística. Muitos de nós sabemos que durante essa oração, o pão e o vinho se tornam o Corpo e Sangue de Cristo. Jesus Cristo se torna sacramentalmente presente no meio de nós, alimentando-nos com a plenitude do amor.

Mas a Oração Eucarística faz mais do que isso. Durante ela, a Igreja e todos os seus membros são oferecidos a Deus. O sacerdote, e por tanto todo o Povo de Deus, rezam: “Olhai, com bondade, o sacrifício que destes à vossa Igreja e concedei aos que vão participar do mesmo pão e do mesmo cálice que, reunidos pelo Espírito Santo num só corpo, nos tornemos em Cristo um sacrifício vivo para o louvor da vossa glória”. (Oração Eucarística IV)

Na celebração da Missa, os homens e mulheres na paróquia se tornam um corpo em Cristo. Nós nos tornamos uma comunhão de amor que se faz presente na Eucaristia, o amor de Cristo nos unindo. E tornando-nos essa comunhão de amor, nós nos oferecemos de volta ao Pai.

Perder a Santa Missa, portanto, não é somente sobre não cumprir uma obrigação. Ao invés disso, a Igreja sofre quando seus membros ausentes, os filhos e filhas do Deus vivo, não estão presentes para oferecer o sacrifício de suas vidas, pela redenção do mundo.

Assim, ir à Missa não se reduz a uma experiência de estar só com Jesus. Não é um tempo para que nossas necessidades espirituais particulares sejam satisfeitas. Mas sim um tempo no qual a Igreja, em toda sua desordem, recorda sua profunda identidade – ela foi feita para amar até o fim.

Para todas aquelas famílias que têm dificuldade em sair de casa, que precisam lidar com gritos e chutes de crianças estressadas, a Igreja precisa de vocês. O sacrifício de louvor, de suas próprias vidas que oferecem ao levarem as crianças e vocês mesmos à Santa Missa, tem um efeito santificante no mundo.

Depois que vocês saem da Missa, tendo oferecido a si próprios em amor ao Deus trino, vocês vão para casa. Vão para viver em família, no seu bairro e no seu trabalho, a vocação que recebem semanalmente na Missa – tornar-se um sacrifício de amor.

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Autor: Timothy P. O’Malley Ph.D.

Timothy é o diretor de educação no McGrath Institute for Church Life, na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos.

Fonte: Teaching Catholic Kids

Traduzido por Gabriel Dias – Membro da Rede de Missão YOUCAT BRASIL, servindo no Núcleo de Tradução, além de atualmente participar do Grupo de Estudo DATING em Brasília – DF.

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