Nunca me entusiasmei em colocar novos ringtones no meu celular, mas muitas pessoas amam ter toques de chamada únicos. Como a mulher que estava na capela uma tarde, enquanto rezávamos o rosário. Seu telefone começou a tocar (ou poderia dizer “cantar”?) em meio à terceira dezena dos Mistérios Gozosos.

Não há diferença de papéis 

Eu não percebi que o repentino festival de música vinha de um telefone, até que ela começou a vasculhar sua bolsa para interromper a fonte de distração. E, para minha surpresa, ao invés de silenciar o celular em uma situação constrangedora, ela olhou para o contato, atendeu e disse “alô”.

O rosário parou educadamente.

“Oi mãe” veio uma voz do outro lado. Eu me questionei se essa violação de comportamento adequado numa capela teria sido por causa de algum tipo de emergência familiar.

“Estou na igreja, querido” ela disse a seu filho. Ele disse algo, ao que ela respondeu: “Talvez quando eu chegar em casa”. Eu não sabia se deveria fazer cara feia ou sorrir.

Eles trocaram despedidas e retornamos às nossas orações.

Quando ela devolveu o aparelho à sua bolsa, sorri. A preocupação maternal dessa mãe era aparente. Ela não separou seu papel como mãe de seu papel de cristã orante. Embora sair da capela fosse a melhor opção, o ponto é que ela não parou de ser uma mãe enquanto estava na capela, e com razão. Afinal, Deus confiou a ela o privilégio e o dever de cuidar de seu filho. Ela estava fazendo o seu melhor para viver seu chamado de ser mãe, atendendo às necessidades do filho naquele momento singular.

Deus tem a paternidade com muito apreço 

Talvez minha simpatia tenha sido reforçada pelo fato de que a chamada veio justamente enquanto meditávamos a natividade de Cristo. Eu tenho pensado sobre a paternidade e a importância do papel de Maria e José em formar, nutrir e proteger seu Filho. Tenho pensado sobre como Jesus era dependente deles, e que o Criador do Universo escolheu cumprir Seu plano de salvação com a ajuda de dois pais humanos. Deus tem a paternidade com muito apreço. Eu não diria o mesmo sobre nossa cultura em geral, entretanto. Frequentemente, tratamos a paternidade como uma inconveniência e um fardo.

Os privilégios e deveres da paternidade de um homem, por exemplo, são muitas vezes reduzidos a pagamentos de pensão alimentícia ou necessidades materiais. Isso empobrece a paternidade. Um pai deve fornecer não somente coisas materiais a seus filhos, mas também orientação, encorajamento, e amor. Eu gosto de imaginar São José deixando seu Filho “ajudar” na carpintaria. Ao passo que este não seria o método mais economicamente eficiente de negócio, a amável paciência desse santo pai ajudou a moldar o caráter e personalidade de Jesus.

Os filhos são um Dom! 

Maria também teve seu papel na formação de Jesus. Desde o momento de Sua concepção, ela promoveu um ambiente acolhedor para seu filho. Ela generosamente concordou em mudar sua vida para abrir espaço para a d’Ele. A maternidade revela a beleza de tamanha autodoação. Porém, a maternidade é incompreendida no atual clima cultural. Tendemos a ver a maternidade como uma espécie de doença a ser tratada com pílulas ou procedimentos invasivos. As mães são tragicamente desvalorizadas em uma sociedade que quase iguala a libertação das mulheres com a falta de filhos. A autoesterilidade é vista como uma bênção e, com muita frequência, os filhos são vistos como uma maldição. Que baita contraste com as imagens bíblicas de mulheres estéreis – Sara, Ana, Raquel, Rebeca, Isabel – que rezaram tão sinceramente pelo dom de ter um filho. Elas entenderam o que o salmista nos diz: Vede, os filhos são um dom de Deus” (Sl 126, 3). Ser um pai ou mãe é receber uma bênção do céu.

Acredito que a mulher rezando na capela sabia disso. As necessidades de seu filho, por mais insignificantes que possam ter sido, não a atingiram como um fardo ou um constrangimento. Quando recebeu a chamada, ela lembrou de seu chamado. Ela é uma mãe, então ela não ignorou seu filho, nem o repreendeu, ou o dispensou. Ela acolheu a dependência dele para ela, assim como Maria e José fizeram com seu próprio filho, há tantos séculos. 

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Autor: Gina Giambrone

Gina é uma escritora freelancer e palestrante moradora de Fond du Lac, Wisconsin. Ela tem mestrado em Teologia e Ministério Cristão pela Universidade Franciscana de Steubenville.

Fonte: Catholic Exchange

Traduzido por Gabriel Dias – Membro da Rede de Missão YOUCAT BRASIL, servindo no Núcleo de Tradução, além de atualmente participar do Grupo de Estudo YOUCAT Dating em Brasília – DF.

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