escapulário origina-se nos hábitos usados pelas ordens monásticas, começando com os beneditinos, e depois adaptado por muitas outras comunidades religiosas. Basicamente, o escapulário é um pedaço de pano, aproximadamente na altura do peito, de ombro a ombro, que veste a frente e as costas da pessoa, com uma abertura para a cabeça. A princípio, o escapulário servia mais como um avental usado durante o trabalho, especialmente rural; consequentemente, a Regra de São Bento identificou-o como “scapulare propter opera” (“escapulário pelo trabalho”).

Após o século nono, um monge recebia um escapulário depois de professar seus votos, e isso se tornou conhecido como “o jugo de Cristo” (iugum Christi) e “o escudo de Cristo” (scutum Christi). Enquanto certas modificações foram feitas pelas várias comunidades, o escapulário era uma parte distinta do hábito religioso.

Com o tempo, leigos piedosos que trabalharam intimamente com comunidades monásticas adotaram uma versão menor do escapulário. Este escapulário menor consistia em dois pequenos pedaços de pano ligados por duas cordas, e era vestido em volta do pescoço e por baixo da roupa. Eventualmente, esses escapulários menores foram marcas de pertencimento a congregações, grupos de leigos que se uniram, se apegaram ao apostolado de uma comunidade religiosa e aceitaram certas regras e regulamentos.

Ao longo do tempo, essas versões menores se tornaram ainda mais populares entre os leigos. Até hoje, a Igreja aprovou 18 escapulários diferentes, distintos por cor, simbolismo e devoção. A maioria deles ainda significa a filiação da pessoa a uma congregação particular, pelo menos vagamente. A seguir há uma breve descrição de seis dos escapulários mais populares:

O escapulário marrom de Nossa Senhora do Carmo: Este escapulário é o mais conhecido e mais popular de todos. De acordo com a tradição, nossa Santíssima Mãe apareceu para São Simão em Cambridge, na Inglaterra, em um domingo, 16 de Julho de 1251 (no nosso ano litúrgico, 16 de Julho é a festa de Nossa Senhora do Carmo). Ela apresentou a ele o escapulário e disse: “Recebe, filho amado, este escapulário de tua Ordem, como distintivo, e, para ti e todos os carmelitas, como sinal especial de graça. Todo o que com ele morrer, não padecerá a perdição no fogo eterno. Ele é sinal de salvação, defesa nos perigos, aliança de paz e pacto sempiterno”.

Nessa aparição e nesse presente, nossa Santíssima Mãe prometeu uma proteção especial para todos os membros da Ordem Carmelita, e especial graça na hora da morte a todos os que vestirem o escapulário, para que não pereçam no Inferno, mas que sejam elevados ao Céu por ela, no primeiro sábado após sua morte. (Note que a Igreja não ensina que usar o escapulário é uma “passagem certa” para o Céu; antes, devemos nos esforçar para estar em estado de graça, suplicar pelo perdão do Senhor, e confiar no cuidado maternal de nossa Santíssima Mãe – todas ações evidentes de uma pessoa que veste, sinceramente, o escapulário).

O escapulário vermelho da Paixão de Cristo: Em 1846, Cristo apareceu a uma Filha da Caridade de São Vicente de Paulo e apresentou um escapulário vermelho. Um lado mostra Nosso Senhor crucificado com os instrumentos da Paixão ao pé da cruz; ao redor da imagem está a inscrição: “Santa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, salvai-nos”. Do outro lado, os Corações de Jesus e Maria estão retratados, com a inscrição em torno: “Sagrados Corações de Jesus e Maria, protegei-nos”. Cristo prometeu que todo aquele que usasse este escapulário toda Sexta-feira teria um grande aumento de fé, esperança e caridade. Essa aparição se repetiu diversas vezes, e, em 25 de junho de 1847, o Papa Pio IX aprovou formalmente o escapulário e concedeu permissão para sua benção e investidura.

O escapulário preto das Sete Dores de Maria: Após o estabelecimento formal da Ordem Servita, pelo Papa Alexandre IV em 1255, homens e mulheres leigos formaram uma congregação em honra às sete dores de Maria. Como sinal de pertencimento, vestiam um escapulário preto, geralmente com uma imagem de Nossa Senhora das Dores na frente.

O escapulário azul da Imaculada Conceição: em 1581, a Venerável Ursula Benicasa, fundadora da Congregação das Irmãs Teatinas, teve uma visão de Nosso Senhor, que revelou a ela o hábito e o escapulário que sua comunidade deveria usar em homenagem à Imaculada Conceição. Venerável Ursula suplicou a Nosso Senhor que concedesse as mesmas graças para os fiéis que usassem um pequeno escapulário azul claro, carregando de um lado a imagem da Imaculada Conceição e, do outro, o nome “Maria”. Em 1671, o Papa Clemente X concedeu permissão para abençoar e investir pessoas com este escapulário. Depois, em 1894, uma congregação da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem e Mãe de Deus Maria foi estabelecida para todos os que usassem esse escapulário.

O escapulário branco da Santíssima Trindade: Quando o Papa Inocêncio III aprovou a ordem dos trinitários em 28 de janeiro de 1198, um anjo apareceu a ele, vestindo uma roupa branca na qual havia uma cruz formada por uma barra horizontal azul e uma barra vertical vermelha. Essa roupa se tornou a veste dos trinitários, e eventualmente foi modelo para o escapulário usado pelos leigos que se tornaram membros da Congregação da Santíssima Trindade.

O escapulário verde: Em 1840, Nossa Santa Mãe deu um escapulário verde do Imaculado Coração de Maria à irmã Justine Bisqueyburu, uma Filha da Caridade de São Vicente de Paulo. Ela pertenceu à mesma comunidade que Santa Catarina Labouré, a quem Nossa Santa Mãe havia manifestado a Medalha Milagrosa, dez anos antes. Esse escapulário verde tem a imagem do Imaculado Coração de Maria em um lado, e a imagem do próprio Imaculado Coração, transpassado por uma espada, cercado pela inscrição: “Imaculado Coração de Maria, rogai por nós, agora e na hora da nossa morte”. Este escapulário pode simplesmente ser abençoado por um padre, e então usado, ou colocado na roupa, na cama, ou no quarto. O Papa Pio IX aprovou o escapulário verde em 1863, e novamente em 1870.

Talvez a melhor maneira de apreciar o uso de um escapulário seja refletir sobre a Oração da Bênção oferecida no Rito Romano: “Senhor nosso Deus, autor da santidade e seu aperfeiçoador, que chamais à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade os que fizestes renascer da água e do Espírito Santo, olhai com benevolência para estes vossos servos que receberam piedosamente este escapulário (para louvor da Santíssima Trindade, ou em honra da Paixão de Cristo, ou em honra da Virgem Santa Maria). Fazei que sejam imagem de Cristo, vosso Filho, e, terminada a sua passagem por esta vida, com a ajuda da Virgem Mãe de Deus, sejam admitidos na alegria da vossa morada celeste”. A chave para essa devoção não é simplesmente vestir um pedaço de pano, mas sim a conversão espiritual que isso significa.

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Autor: Pe. William Saunders

Pe. Saunders é pastor na Paróquia Nossa Senhora da Esperança em Potomac Falls e professor de catequese e teologia na Escola de Pós-Graduação Notre Dame, em Alexandria, nos Estados Unidos.

Fonte: Catholic Exchange

Traduzido por Gabriel Dias – Membro da Rede de Missão do YOUCAT BRASIL, como Voluntário no Núcleo de Tradução.

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