Em uma formação anterior, definimos o que vem a ser consciência e apontamos que existem três regras fundamentais que não podemos descumprir. Nunca é lícito agir contra a própria consciência, agir na dúvida é pecado e somos obrigados a formar nossa consciência.

Nesta formação, vamos entender melhor como nossa consciência pode ser dividida. Será que ela é verdadeira, reta e certa? Como podemos saber? Para compreender melhor, os possíveis estados de consciência, a teologia moral estabelece três divisões fundamentais:

1) Em razão do objeto (diz respeito à adequação à norma):

  1. Verdadeira: é aquela que julga em conformidade com os princípios objetivos da Moral, aplicados ao ato. Em outras palavras, é que coincide objetivamente com a norma ou lei;
  2. Errônea: é aquela que julga em desacordo com a verdade objetiva das coisas. Em outras palavras, é a que não corresponde ao que a norma determina.

2) Em razão do modo de julgar (diz respeito à responsabilidade com que se julga):

  1. Reta: É quando julga da bondade ou da malícia de um ato com fundamento e prudência. Em outras palavras é aquela que se ajusta ao ditame da razão;
  2. Falsa: É aquela que julga com ligeireza (um juízo temerário) e sem fundamento sério. Em outras palavras é aquela que não se submete à própria razão.
    1. Relaxada: É aquela que, por superficialidade e sem motivos sérios, nega ou diminui o pecado onde o há; e é uma consciência cauterizada quando se torna insensível por conta da corrupção do pecado. (Sugestão de Leitura: Corrupção e Pecado, Ed. Ave Maria);
    2. Restrita: É aquela que, com certa facilidade e sem motivos sérios, vê ou aumenta o pecado onde não o há;
    3. Escrupulosa: é um exagero da consciência restrita, que, sem motivo, chega a ver pecado em tudo ou quase tudo o que se faz;
    4. Perplexa: é aquela que vê pecado tanto em fazer uma coisa, como em não a fazer.

3) Em razão da firmeza do juízo (diz respeito ao assentimento que se dá ao juízo):

  1. Certa: é a que julga da bondade ou da malícia de um ato com firmeza e sem receio de errar. Em outras palavras, é a que emite o juízo com segurança;
  2. Dubitativa: é aquela que, ao contrário, não sabe o que pensar sobre a moralidade de um ato; a vacilação impede-a de emitir um juízo.

Um outro autor, famoso dentro da Teologia Moral Católica, o Pe. Teodoro Torres Del Greco nos ensina que existem as seguintes consciências:

1) Consciência Delicada:

  • Receia, mesmo que remotamente, o que constitui pecado;
  • É aquela consciência sem defeito em que a pessoa evita os pecados mortais e os pecados veniais possíveis (evitar todos não está a nosso alcance). Uma pessoa com esta consciência se aplica a evitar toda aparência de falta de ligeira, toda imperfeição e todo defeito;
  • Movida por vivo amor a Deus, tem o olho aberto até para as mais leves ocasiões de pecado, procurando zelosamente afastar-se de todas.

2) Consciência Escrupulosa:

  • É, antes de tudo, um estado de espírito no qual, com facilidade e por motivos fúteis, se julga má uma ação que não é, ou grave uma proibida sob pena de culpa leve;
  • Esta consciência perdeu a capacidade de julgar: vê em toda parte o mal, considera culpa grave coisas de pouca importância, sobrecarrega-se de obrigações que, na realidade, não são obrigatórias;
  • Entre as causas internas merece grande importância a constituição física e psíquica. Entre as causas externas tem-se muitas vezes de considerar a educação recebida e o ambiente no que vive a pessoa.

3) Consciência Laxa:

  • É aquela que com facilidade julga não ser pecado o que realmente o é, ou ser pecado leve o que é grave. Aquele que reconhecendo ser laxa a consciência a segue, peca seguindo-a;
  • Entre as causas desta consciência, podemos apontar, ordinariamente, a tibieza, a demasiada solicitude das coisas temporais, o costume;
  • Pessoas com este tipo de consciência se apliquem à meditação, ao exame de consciência.

4) Consciência ‘Cauterizada’:

  • É a consciência laxa quando já se encontra insensível diante do remorso dos pecados;
  • É quando, por conta da aceitação da corrupção, a consciência já não reconhece a realidade de pecado e nem mesmo suas consequências.

Nossa meta é chegar a uma Consciência Delicada. Existem meios específicos para formar uma boa consciência. Meios que possuem um certo parentesco com o que se usam para educar a inteligência. Indicamos abaixo conselhos de três (apesar de serem dois livros) autores distintos:

Segundo Aurélio Fernandez:

  1. A aceitação do ensinamento moral;
  2. O conhecimento da vida cristã;
  3. A reflexão;
  4. O exame pessoal;
  5. O Sacramento da Penitência;
  6. A direção espiritual;
  7. Exercitar-se em atitudes virtuosas.

Segundo Ricardo Sada e Alfonso Monroy:

  1. Estudo da Lei Moral;
  2. Hábito, cada vez mais firme de refletir antes de agir;
  3. Sério desejo de procurar Deus mediante oração e os sacramentos;
  4. Plena sinceridade;
  5. Pedido de ajuda e de conselho.

Referências Principais

Fernández, Aurelio. Moral Fundamental – Iniciação Teológica. Lisboa: Edicoes Rialp, 2004.

Greco, Teodoro Torre. Teologia Moral – Compêndio de Moral Católica para o Clero em Geral e Leigos. São Paulo: Paulinas, 1959.

Sada, Ricardo, e Alfonso Monroy. Curso de Teologia Moral. Lisboa: Rei dos Livros, 1989.

SJ, R. Paiva;. Escritos de Santo Inácio – Cartas Escolhidas. São Paulo: Loyola, 1991.

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