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Pois é! A Igreja Católica não se limita ao rito romano. Ela é uma grande comunhão de 24 Igrejas autônomas “sui juris, sendo 1 ocidental e 23 orientais.

O ramo ocidental é representado pela tradição latina da Igreja Católica Apostólica Romana. É chamado “ocidental” por conta da localização geográfica de Roma e não porque a sua presença se restrinja a países do Ocidente: na verdade, a Igreja Católica de rito romano está presente no mundo inteiro e tem dioceses em todos os continentes, de Portugal ao Japão, do Brasil à Rússia, de Angola à China, do Canadá à Nova Zelândia.

As Igrejas católicas orientais também têm fiéis espalhados pelo mundo, mas, por razões históricas, estão mais fortemente presentes nos lugares onde surgiram. Possuem tradições culturais, teológicas e litúrgicas diferentes, bem como estrutura e organização territorial própria, mas professam a mesma e única doutrina e fé católica, mantendo-se, portanto, em comunhão completa entre si e com a Santa Sé.

Todas as 24 Igrejas que compõem a Igreja Católica são consideradas Igrejas “sui juris”, ou seja, são autônomas para legislar de modo independente a respeito de seu rito e da sua disciplina, mas não a respeito dos dogmas, que são universais e comuns a todas elas e garantem a sua unidade de fé – formando, na essência, uma única Igreja Católica obediente ao Santo Padre, o Papa, que a todas preside na caridade.

A legislação de cada Igreja “sui juris” é estudada e aprovada pelo seu respectivo sínodo, ou seja, pela reunião dos seus bispos sob a presidência do seu arcebispo-maior ou patriarca. Por exemplo, a Igreja Melquita é presidida por um patriarca, enquanto a Igreja Greco-Católica Ucraniana por um arcebispo-maior. O rebanho dos fiéis católicos de rito latino é guiado diretamente pelo Papa Francisco, bispo de Roma, que é também o líder de toda a grande comunhão da Igreja Católica em suas diversas tradições.

É muito comum até hoje, em especial no Ocidente, confundir a Igreja Católica com o rito latino, um erro que vem acontecendo há séculos e que, ao longo da história, já causou sérios prejuízos aos católicos de ritos orientais. O que é preciso entender é que todos os católicos latinos são, obviamente, católicos; mas nem todos os católicos são católicos latinos. E esta é mais uma das tantíssimas riquezas do infinito tesouro da Igreja que é Una, Santa, Católica e Apostólica!

Concílio Vaticano II reconheceu que todos os ritos aprovados pelas Igrejas que formam a Igreja Católica têm a mesma dignidade e direito e devem ser preservados e promovidos.

Aliás, por falar em rito, outra confusão frequente é feita entre o rito latino e o rito romano: os termos costumam ser usados como sinônimos, mas, tecnicamente, além do rito romano, também existem outros ritos latinos de certas Igrejas locais, como o ambrosiano, e os de algumas ordens religiosas, além do rito tridentino. Mas eles não estão vinculados a Igrejas autônomas “sui juris“, sendo diferentes ritos dentro da mesma tradição latina da Igreja Católica. Quanto aos ritos orientais, as diferenças são mais marcadas pela diversidade de tradições e há vínculos históricos entre os ritos e as Igrejas “sui juris” específicas que os adotam: são eles o alexandrino ou copta, o bizantino, o antioqueno ou siríaco ocidental, o caldeu ou siríaco oriental, o armênio e o maronita.

Mas quais são, afinal, as Igrejas “sui juris” que formam a Igreja Católica? Eis a impressionante lista:

DE RITO OCIDENTAL

Tradição litúrgica latina ou romana:
1. Rito latino da Igreja Católica Apostólica Romana (sede em Roma)

DE RITOS ORIENTAIS

Tradição litúrgica alexandrina:
2. Igreja Católica Copta (patriarcado; sede no Cairo, Egito);
3. Igreja Católica Etíope (metropolitanato; sede em Adis Abeba, Etiópia);
4. Igreja Católica Eritreia (metropolitanato; sede em Asmara, Eritreia).

Tradição litúrgica bizantina:
5. Igreja Greco-Católica Melquita (patriarcado; sede em Damasco, Síria);
6. Igreja Católica Bizantina Grega (eparquia; sede em Atenas, Grécia);
7. Igreja Católica Bizantina Ítalo-Albanesa (eparquia; sede na Sicília, Itália);
8. Igreja Greco-Católica Ucraniana (arcebispado maior; sede em Kiev, Ucrânia);
9. Igreja Greco-Católica Bielorrussa (também chamada Católica Bizantina Bielorussa);
10. Igreja Greco-Católica Russa (sede em Novosibirsk, Rússia);
11. Igreja Greco-Católica Búlgara (eparquia; sede em Sófia, Bulgária);
12. Igreja Católica Bizantina Eslovaca (metropolitanato; sede em Prešov, Eslováquia); 13. Igreja Greco-Católica Húngara (metropolitanato; sede em Nyíregyháza, Hungria); 14. Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia (eparquia; sedes em Križevci, Croácia, e Ruski Krstur, Sérvia);
15. Igreja Greco-Católica Romena (arcebispado maior; sede em Blaj, Romênia);
16. Igreja Católica Bizantina Rutena (metropolitanato; sede em Pittsburgh, Estados Unidos);
17. Igreja Católica Bizantina Albanesa (eparquia; sede em Fier, Albânia);
18. Igreja Greco-Católica Macedônica (exarcado ou exarquia; sede em Escópia, Macedônia).

Tradição litúrgica armênia:
19. Igreja Católica Armênia (patriarcado; sede em Beirute, Líbano).

Tradição litúrgica maronita:
20. Igreja Maronita (patriarcado; sede em Bkerke, Líbano).

Tradição litúrgica antioquena ou siríaca ocidental:
21. Igreja Católica Siríaca (patriarcado; sede em Beirute, Líbano);
22. Igreja Católica Siro-Malancar (arcebispado maior; sede em Trivandrum, Índia).

Tradição litúrgica caldeia ou siríaca oriental:
23. Igreja Católica Caldeia (patriarcado; sede em Bagdá, Iraque);
24. Igreja Católica Siro-Malabar (arcebispado maior; sede em Cochim, Índia).

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FONTE: Aleteia

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