8 de dezembro é um dos meus dias de festa preferidos. Infelizmente, existem muitas concepções erradas sobre a Imaculada Conceição.

A maior delas é acreditar que essa Solenidade se refere à concepção de Cristo, quando, na verdade, refere-se à concepção de Maria. Uma vez que isso está esclarecido, outro equívoco frequente acontece: pensar que, uma vez que Maria era Imaculada, não precisaria de um redentor. Pelo contrário! Como o Catecismo explica:

“Este esplendor de uma santidade de todo singular, com que foi enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição, vem-lhe totalmente de Cristo: foi remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho”  (CIC 492).    

De fato, a conceição Imaculada de Maria é a certeza de que o trabalho de Cristo na cruz produziu fruto. É a esperança viva da redenção da humanidade. Para a redenção ser completa, ela não deveria ser somente perfeitamente dada, mas perfeitamente recebida. Ela foi perfeitamente dada por Cristo e também foi perfeitamente recebida em Maria, que, através de “singular graça e privilégio”, foi “redimida desde o momento de sua concepção”(CIC 491).

Diversos livros poderiam ser escritos sobre a conexão entre essa festa e o “grande mistério” revelado pela Teologia do Corpo de João Paulo II. Para começar, não é uma mera coincidência que João Paulo II tenha começado a escrever a Teologia do Corpo nessa festa maravilhosa – a data do manuscrito original em sua primeira página era de 8 de dezembro de 1974. E mais que isso, ele escreveu sua dedicatória: Tota Pulchra es, Maria – “Você é toda bela, Maria” – uma clara adaptação das palavras do noivo do Cântico dos Cânticos  “És toda bela, ó minha amada, e não há mancha em ti” (Ct 4,7).

Faz parte de uma longa tradição da Igreja reconhecer Maria como a esposa sem mancha de que fala o Cântico dos Cânticos. Como modelo perfeito para a Igreja, Maria representa a esposa mística por quem Cristo “se entregou… para santificá-la” a fim de que ela possa ser “sem mácula, sem ruga … santa e irrepreensível”(Ef 5, 25-27). É claro que pode parecer estranho falar de Maria representando, de alguma forma, a “esposa” de Cristo. O Bispo Fulton Sheen explicou isso da seguinte maneira:

Nós sempre pensamos, corretamente, em Cristo, o filho, na cruz, e sua mãe abaixo dele. Mas essa não é a imagem completa. Esse não é o entendimento mais profundo. Quem é o nosso Senhor na cruz? Ele é o novo Adão. Onde está a nova Eva? Aos pés da cruz… e então o esposo olha para baixo em direção a sua esposa. Ele olha para sua amada. Cristo olha para sua Igreja. Aqui está o nascimento da Igreja. (Through the Year with Bishop Fulton Sheen, Ignatius Press 2003).

O trabalho de redenção foi consumado na cruz. E então, de uma maneira muito real, Maria foi concebida imaculadamente – isso é, ela perfeitamente recebeu o presente da redenção – não somente no seu ventre materno, mas também aos pés da cruz.  De fato, aquele acontecimento que teve lugar no ventre de Santa Ana é inexplicável sem o acontecimento que se passou na cruz. Como João Paulo II certa vez observou, “ Os esposos são… o lembrete permanente para a Igreja do que aconteceu na cruz” (Familiaris Consortio 11). Talvez, os esposos que revelem isso mais claramente sejam São Joaquim e Santana.

Na arte oriental, o ícone da Imaculada Conceição é, na verdade, uma imagem de Joaquim e Ana se abraçando. Atrás deles está sua cama nupcial e por trás desse mistério sagrado nós podemos ver os portões da cidade santa de Jerusalém. Através dessa “santíssima” imagem (os padres da tradição oriental chamam Maria de “Santíssima”), nós somos levados a contemplar o amor esponsal, que não somente coopera com Deus em seu poder para criar a vida humana, mas também coopera com Deus em seu poder de redimi-la. Nesse sagrado abraço de Joaquim e Ana, nós podemos verdadeiramente falar de amor que não é somente “procriativo”, mas também, ao mesmo tempo “pró-redentor”.

Como nós aprendemos na Teologia do Corpo de João Paulo II, o amor esponsal autêntico desenha sua mais profunda essência no mistério da criação e da redenção. Ele não é somente chamado a trazer nova vida para o mundo, mas deve salvar-nos do pecado e nos preparar para o paraíso.  Quem, por suas próprias forças, poderia viver esse tipo Divino de amor? Apenas a graça da salvação faz com que isso seja possível. Isso não é algo que possamos alcançar por nossas próprias forças. É algo que só podemos receber. E isso é precisamente o que celebramos na grande festa da Imaculada Conceição – a receptividade do coração humano (o coração de Maria) ao amor salvador de Deus.

Maria, em todas as alegrias e desafios de sua vida, ensina-nos a como abrir nossos corações a um amor tão grande!

Questão: Quais seriam outros conceitos errados sobre a Imaculada Conceição?

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Autor: Christopher West

Fonte: The Cor Project

Traduzido por Ludmila Alvim – Membro da Rede de Missão do YOUCAT BRASIL, como Voluntária nos Núcleos de Tradução, Clube de Leitura YOUCAT e atualmente também participa do Grupo de Estudo YOUCAT DATING em Brasília – DF.

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