Lembro-me de ler uma frase nos primeiros anos de minha adolescência que me comoveu e, que ainda hoje, ressoa em meu coração: “Se você ama alguém, deixe-o partir. Se ele voltar, é porque sempre foi seu. Se não, é porque nunca foi”.

Não sei quanta verdade há nessa expressão, mas, em minha própria vida, experimentei a árdua decisão de deixar partir a pessoa que sempre amei; e essa continua a ser, até hoje, a decisão mais difícil que já tomei. Entretanto, eu tinha consciência de que era necessário na época, e nunca me arrependi dessa escolha, porque eu sabia que o deixei ir pela simples razão de verdadeiramente amá-lo. Ao longo dos nossos 6 anos de relacionamento, não fomos completamente castos, e finalmente cheguei num ponto em que sabia que tinha de escolher por amar completamente: amar a Deus, ao meu namorado e a mim mesma completamente – e abrir mão daquele namoro.

Nossa sociedade vê o amor através de lentes bem diferentes das que eu acabei de descrever. Aprendemos que, para amar alguém (no sentido romântico), devemos dar a ele tudo de nós – fisicamente – antes do matrimônio. A regra é dormir e morar juntos antes de fazer um compromisso pela vida toda com aquela pessoa perante Deus. A regra é só ter olhos para a rapidez dos sentimentos que, em geral, acompanham a paixão, e não focar na pessoa a quem esses sentimentos são direcionados. Resumidamente, o amor se tornou uma questão “sobre mim”, focando no “eu”, em vez no “você”. Surge, então, a questão: “O que eu posso conseguir dessa pessoa ou desse relacionamento?”, e não “O que eu posso oferecer a essa pessoa ou a esse relacionamento?”.

Nosso Criador nos pede a castidade por uma boa razão: é o único modo pelo qual somos capazes de pelo menos começar a amar uma outra pessoa de modo perfeito. Quando a castidade se torna um estilo de vida para aqueles que esperam pelo matrimônio, não somos somente livres para amar os outros com base naquilo que eles realmente são, mas também tornamo-nos capazes de amar a Deus e a nós mesmos do modo como somos chamados a ser. O amor exige que coloquemos o bem da outra pessoa antes de nossas próprias necessidades e desejos, e esse tipo de benevolência só pode ser alcançado através de relacionamentos puros. Castidade é o caminho mais seguro para avaliar se existe ou não amor verdadeiro no relacionamento.

Hoje em dia, há muitos casais jovens vivendo num estado permanente de fragmentação porque se sentem aprisionados a todas as pessoas para quem já deram tudo, apesar de não serem a pessoa certa para aquela pessoa. É absolutamente terrível pensar em terminar um relacionamento depois que você investiu tanto de si mesmo – física e emocionalmente. Na verdade, terminar um relacionamento sexualizado pode parecer muito com o divórcio, dependendo se o casal vivia juntos ou quanto tempo passavam juntos. Entretanto, a ferida que provavelmente resultará do término de relacionamentos com as pessoas erradas irá, ao fim, te libertar para uma vida de plenitude e de amor autêntico, se você escolher viver a castidade daquele momento em diante. Deus é mestre em tomar as nossas dores e usá-las para um propósito mais belo, ainda que, no início, esse propósito não esteja claro.

Eu ainda amo meu ex-namorado, mesmo que nós tenhamos terminado há mais de um ano. Na verdade, posso ir ainda mais longe, e dizer que eu o amo mais e melhor agora, porque tomei aquela difícil decisão de amá-lo do modo como Deus exigia que eu o amasse, e eu finalmente consegui isso ao deixá-lo partir. Eu nunca parei de torcer por ele através da oração e de bons desejos, mesmo que não ditos. Amar alguém, às vezes, pode significar que você deve amar à distância, ainda que seja uma das decisões mais árduas da sua vida.

Se você ama alguém – ama de verdade – e sabe, em seu coração, que Deus te chama a um amor mais perfeito, então deixe-o partir. Deus estará contigo para te sustentar quando você o fizer. E, se você permitir, Ele abrirá as mais lindas portas para você em sua vida por meio do simples “sim” ao planos Dele para você.

____________

Por Lindsay Todd – que se graduou na West Chester University em 2016, e atualmente trabalha como escritora para a Mars Inc. Em seu tempo livre, gosta de escrever, cantar, brincar com seu cachorro, ler e se exercitar. Ela também ama arte, moda e discussões políticas e teológicas. Tem uma devoção especial ao Santíssimo Sacramento e um amor especial por São João Paulo II. Lindsay adora compartilhar a beleza do amor puro com os outros, particularmente enquanto escritora católica e como promotora de retiros para jovens mulheres. Ela reside em Bucks County, Pensilvânia, com sua família.

FonteChastity Project com permissão de Jason Evert  ©

Traduzido por Tiago Veronesi Giacone – Voluntário na Rede de Missão do YOUCAT BRASIL nos Núcleo de Tradução, Clube de Leitura YOUCAT e membro do Grupo de Estudo YOUCAT DATING em Brasília – DF.

Deixe seu comentário