Em 15 de agosto se celebra a festa do destino do corpo humano: a Solenidade da Assunção de Maria1, em corpo e alma, para a alegria eterna. Apesar de não ter sido definida como dogma até 1950, a crença na assunção corporal de Maria sempre fez parte da fé cristã.

Por que 1950? Deus tem Suas próprias razões para o tempo das coisas. Porém, mesmo de uma perspectiva humana, a metade do século XX forneceu um contexto histórico perfeito para a proclamação da Igreja. Como o Padre Donald Calloway escreve:

“Durante o século XX, o corpo começou a ser visto por muitas pessoas como um fardo, algo a ser dominado e manipulado… por isso, tiveram início os procedimentos de mudança de sexo, as cirurgias plásticas e a manipulação genética. Em certo sentido, pode se dizer que a preocupação deste século com o corpo levou a uma abordagem esquizofrênica dele: seja adorá-lo como algo sagrado, seja procurar manipulá-lo (ou até matá-lo) por meios tecnológicos” (Livro: The Virgin Mary and Theology of the Body, p. 45).

Em meio a tal dualidade, a assunção de Maria proclama a definitiva verdade acerca do corpo: ele é destinado a compartilhar da eterna glória da Trindade. Cristo veio corporalmente, para nos redimir corporalmente – e a assunção do corpo de Maria é a prova de que o que Cristo fez na cruz cumpriu seu propósito. Maria é corpo e alma completamente redimidos. Nesse sentido, Maria é a esperança de toda a humanidade. Ele vive o que ansiamos.

A declaração da Assunção de Maria em 1950 foi também uma poderosa resposta à devastação da Segunda Guerra Mundial. O horror dos campos de concentração de Hitler tinham acabado de serem expostos. Além disso, o homem descobriu como partir o átomo – a menor partícula do universo físico – e explorou esse conhecimento com consequências terríveis.

Um doutor católico chamado Takashi Nagai sobreviveu à explosão que atingiu Nagasaki em 9 de agosto de 1945, que matou quase 80 mil de seus compatriotas. Escrevendo sobre a experiência do Dr. Nagai, o autor Robert Ellsberg diz em seu livro, All Saints, que “Nagai achou extraordinário que pelo fato de nuvens pesadas obscurecerem a cidade originalmente planejada, a bomba foi lançada naquele dia em Nagasaki, um alvo alternativo. Como outra consequência das nuvens, o piloto não havia fixado seu alvo nas obras férreas da Mitsubishi, como pretendido, mas sim na Catedral Católica no distrito de Urakami, lar da maioria católica de Nagasaki. Ele notou também que o fim da guerra veio em 15 de agosto, dia da festa da Assunção de Maria, aquela a quem a Catedral era dedicada.”.

Numa Missa a céu aberto, dias depois do bombardeio. Dr. Nagai disse aos sobreviventes, “Nós precisamos nos perguntar se esta convergência de eventos – o fim da guerra e a celebração de sua festa [Assunção] – foi mera coincidência ou se houve aqui uma misteriosa providência de Deus (All Saints, p. 13). Podemos dizer que em resposta à bomba “A”, em 1950 a Igreja lançou uma bomba “G”, uma “bomba da Graça”, que realmente é a esperança ao mundo. “A Mulher”, representando todos nós, foi totalmente redimida em corpo e alma.

Três anos depois, Hugh Hefner fundou a Revista Playboy. Isso leva a um questionamento: Poderia a revolução pornográfica da segunda metade do século XX ser uma resposta diabólica  à proclamação da Assunção? É de fato curioso que a degradação pornográfica do corpo da mulher começar tão logo após a elevação histórica mais gloriosa do corpo. A entidade do mal sempre foi contra “a Mulher” (veja Gênesis 5 e Apocalipse 12). Cristo a eleva e o inimigo tenta colocá-la para baixo.

São João Paulo II observou que “diante do aviltamento a que a sociedade moderna não raro submete em particular o corpo feminino, o mistério da Assunção proclama o destino sobrenatural e a dignidade de cada corpo humano… Olhando para ela, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo (Audiência, 9 de Julho de 1997). Maria, glorificada em corpo e alma, nos mostre quem nós somos!

Pergunta: Que lição podemos tirar do fato da bomba atômica ter sido lançada em uma catedral dedicada à Assunção de Maria?

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1 No Brasil, por razões pastorais, esta celebração, quando a data do dia 15 de agosto não coincide com o domingo, é transferida para o domingo seguinte.

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Autor: Christopher West

Christopher West é um orgulhoso marido e pai de cinco filhos, além de ser o mais renomado professor e promotor da Teologia do Corpo de São João Paulo II. Autor de livros como Teologia do Corpo para Principiantes e Enchei estes corações.

Fonte: Theology of the Body Institute

Traduzido por Gabriel Dias – Membro da Rede de Missão do YOUCAT BRASIL, como Voluntário no Núcleo de Tradução e atualmente também participa do Grupo de Estudo YOUCAT DATING em Brasília – DF.

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