Hoje queremos finalmente compartilhar com vocês a última de uma série de 3 profundas reflexões que o autor e professor Christopher West nos deixou em seu Blog The Cor Project, a respeito da contracepção. 


PARTE III

A controvérsia a respeito da contracepção foi o motivo pelo qual eu deixei a Igreja quando jovem, e foi esse o mesmo motivo que me trouxe de volta à Igreja nos meus 20 anos. Falei um pouco sobre minha história no último artigo. Agora, gostaria de partilhar como a descoberta de previsões de alguns pensadores de destaque do início do século XX ajudaram a fazer com que eu abrisse os olhos para o que estava em jogo.

Lembro-me como fiquei surpreso ao descobrir que, até 1930, todas as denominações cristãs eram unânimes na firme oposição a qualquer tentativa de esterilizar a relação sexual. Naquele ano, quando a Igreja Anglicana abriu as portas à contracepção na Conferência de Lambeth, houve o primeiro agrupamento cristão a romper com o contínuo ensinamento da Igreja primitiva, dos mestres espirituais de todos os séculos, de todos os reformadores de Lutero a Calvino, e outros. Na época em que a pílula foi lançada, no início da década de 1960, o histórico ensinamento cristão, uma vez universalmente estabelecido, passou a ser visto, pela maior parte do mundo moderno, como arcaico e absurdo.

Algumas décadas antes, quando a fundadora da Planned Parenthood1, Margaret Sanger, começou, pela primeira vez, as campanhas globais a favor da contracepção, não faltaram previsões afirmando que acatar a ideia de contracepção levaria a sociedade ao caos em que estamos hoje imersos. Você pode ficar tão surpreso quanto eu fiquei quando li o que os seguintes grandes pensadores do início do século XX disseram sobre a contracepção e o que eles disseram que aconteceria se aderíssemos a ela.

Sigmund Freud, por exemplo, ainda que claramente não fosse adepto à religião, percebeu que “o abandono da função reprodutiva é uma característica comum a todas as perversões. Na verdade, podemos descrever uma atividade sexual como perversa”, ele disse, “se abrir mão do objetivo da reprodução e buscar apenas a obtenção do prazer como um objetivo independente” ((Introductory Lectures in Psychoanalysis, W. W. Norton and Company, 1966, p. 392).

Theodore Roosevelt condenou a contracepção por ser uma séria ameaça ao bem-estar da nação, descrevendo-a como “o único pecado cuja pena é a morte nacional, a morte da raça; um pecado para o qual não há expiação”. Os “homens e mulheres culpados desse pecado”, acreditava ele, demonstram uma “terrível” falta de caráter (State Papers as Governor and President, in Works XVII).

Mahatma Gandhi insistia em que “não podem haver opiniões dúbias acerca da necessidade de controle de natalidade. Mas o único método [apropriado] é o auto-controle”, o qual ele descreveu como sendo um “remédio infalivelmente soberano que faz bem àqueles que o praticam”. Por outro lado, “fugir das consequências dos nossos próprios atos” através da contracepção é um remédio que “provará ser pior do que a doença”. Por que? Porque os métodos contraceptivos são “como dar um prêmio ao vício”, ele afirmou. “Eles fazem com que os homens e as mulheres se tornem irresponsáveis… A natureza é implacável, e se vingará por causa de qualquer violação a suas leis”, ele previu. “Resultados morais só podem ser produzidos por restrições morais”. Consequentemente, se os métodos contraceptivos “tornarem-se a ordem do dia, não haverá outro resultado senão a degradação moral. O homem já degradou muito a mulher para sua própria luxúria, e a contracepção, não importa quão bem intencionados sejam os seus defensores, degradará a mulher ainda mais (India of My Dreams, Mahatma Gandhi, Rajpal & Sons, edição: 2009, p. 219-220).

Quando um comitê do Conselho Federal das Igrejas na América publicou um relatório sugerindo quais seriam as consequências da aceitação da contracepção pela Igreja Anglicana, o The Washington Post publicou fortíssimo editorial com a seguinte declaração profética: “Considerando as suas conclusões lógicas, o relatório do comitê, se levado a efeito, soa como uma sentença de morte do casamento enquanto instituição sagrada, devido ao fortalecimento de práticas degradantes que encorajariam uma imoralidade indiscriminada. A sugestão de que o uso de contraceptivos legalizados seria ‘cuidadosa e limitada’ é absurda” (“Forgetting Religion,” The Washington Post, 22 de março, 1931).

Em resposta ao rompimento anglicano com o ensinamento moral cristã, T. S. Eliot insistiu em que a igreja anglicana estaria “tentando um experimento para formar uma mentalidade civilizada, mas não-cristã. O experimento irá falhar; mas devemos ser muito pacientes para ver o seu colapso; enquanto isso, devemos redimir o tempo para que a Fé seja preservada viva através das décadas de trevas diante de nós; para renovar e reconstruir a civilização e salvar o mundo do suicídio” (T. S. Eliot, Thoughts After Lambeth, Faber and Faber, 1931).

Perversidade? Morte nacional? Degradação moral? Morte do matrimônio enquanto instituição sagrada? Suicídio global? Não são problemas demais para colocar nas costas da contracepção? Certamente pareceria ser, se não fosse o fato de muito do que esses analistas previram, de fato, aconteceu. O que eles conseguiram compreender e que nós nos esquecemos?

Artigos anteriores:

A inconveniente verdade que muitas pessoas pró-vida não querem encarar.

Como a contracepção me fez sair da Igreja… e me trouxe de volta a ela. 

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NOTAS  DO TRADUTOR:

1 – Planned Parenthood (Paternidade Planejada) é a Federação de Paternidade Planejada da América (PPFA). Uma organização sem fins lucrativos que fornece cuidados de saúde reprodutiva nos Estados Unidos e em todo o mundo. A entidade é o maior provedor de serviços de saúde reprodutiva, incluindo o aborto, nos Estados Unidos.

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Autor: Christopher West

Fonte: Esse post e a imagem são originalmente do site Cor Project

Traduzido por Tiago Veronesi Giacone – Membro da Rede de Missão do YOUCAT BRASIL, como Voluntário nos Núcleos de Tradução, Clube de Leitura YOUCAT e também membro do Grupo de Estudo YOUCAT DATING em Brasília – DF.

 

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